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segunda-feira, 20 de junho de 2011

LICEU DE CAMOCIM, PROPORCIONA AOS SEUS ALUNOS UMA APRENDIZAGEM INOVADORA

O Liceu de Camocim Dep. Murilo Aguiar em parceria com a Secretaria Municipal de Educação de Camocim e sob a orientação do professor de Língua Portuguesa, Edivaldo Araújo Júnior, em consonância com o projeto “Viajando através da Literatura”, realizaram nos dias 18 e 19 de junho, aula de campo no município de Quixadá/CE, com a participação de vinte alunos de nossa escola.

O objetivo principal dessa aula foi aprimorar o conhecimento de nossos alunos sobre um dos maiores ícones da literatura brasileira: Rachel de Queiroz. Conhecer um pouco mais sobre a sua vida, sua trajetória como escritora e o ambiente onde aconteceu a obra literária “O QUINZE”.

Visitar Quixadá e sua cultura nos oportunizou a visualização da caatinga do sertão cearense e o real motivo da fuga da família nordestina em busca da sobrevivência causada pelas condições climáticas. Portanto nada mais adequado do que conhecermos como viveu Rachel, onde morava, seus hábitos pois, somente assim entendemos todo o ensejo de sua magnífica obra, vendo e sentindo a magia do sertão que foi sua fonte de inspiração. Assim como conhecer o Centro Cultural e Memorial de Rachel de Queiroz, Santuário da Rainha do Sertão e o Açude do Cedro que nos proporcionou a ampliação cultural no que diz respeito a essa bela região.

Para este momento tão importante no processo de construção do conhecimento de nossos alunos, contamos com a participação efetiva de nosso Diretor Escolar Clairton Lourenço Santos e de nossa Coordenadora do Eixo Curricular Jakcilene Pessoa do Nascimento. Agradeço o apoio e a participação do Núcleo Gestor.

Agradecer a Rachel de Queiroz, pela riquíssima herança literária que nos deixou, contribuindo de forma brilhante para nossa literatura brasileira, nos orgulhando, não só como mulher, escritora e professora, mas também por representar tão bem a cultura Cearense mundo afora.

Estendendo o agradecimento à todos que contribuíram para esta grande realização, ao Liceu de Quixadá que nos recebeu tão bem e aos nossos queridos alunos pela excelente participação e compromisso.

Mostrar a importância da literatura como tarefa essencial na conquista da cidadania plena, fazendo com que os alunos incorporem valores, conceitos e atitudes em seu cotidiano escolar e extra-escolar faz parte da nossa meta de ensino.

Atenciosamente,

Prof.Jr


domingo, 12 de junho de 2011

I NOITE LITERÁRIA DO LICEU DE CAMOCIM

O Liceu de Camocim Dep. Murilo Aguiar, no dia “Nacional da Língua Portuguesa”, sob a orientação do professor “Edivaldo Araújo Júnior”, realizou nas dependências da própria escola a “I Noite Literária do Liceu de Camocim”.

As atividades integram o Projeto "Viajando através da Literatura”, que vem sendo desenvolvido no ano letivo de 2011, com a perspectiva de incentivar o intercâmbio entre os diversos segmentos da Área de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, através da leitura e da produção textual, proporcionando a realização de atividades interdisciplinares no ambiente escolar.

Na oportunidade estiveram presentes o Diretor Clairton Lourenço Santos, a Professora Regente do Centro de Multimeios, Maria dos Navegantes de Paulo, Pais de Alunos, Amigos da Escola e Alunos.

Programação Literária:

Dia 10/06/2011

18h30min – Abertura da I Noite Literária do Liceu de Camocim Dep.Murilo Aguiar.

19h10min – Apresentação do Romance Indianista “Iracema” de José de Alencar”.

19h40min – Fala da Professora Regente do Centro de Multimeios.

19h50min - Apresentação do Romance Regionalista “O Quinze de Rachel de Queiroz”.

20h40min – Fala do Diretor da Escola e do Professor Orientador da I Noite Literária


Entusiasmo, dedicação e irreverência foram as marcas das obras literárias apresentadas pelos alunos.

Prof.JR

terça-feira, 31 de maio de 2011

VIVENCIANDO A LITERATURA - "O QUINZE"

Apresentação

A Obra literária “O Quinze” de Rachel de Queiroz, retrata a seca de 1915 em Quixadá/CE, a mesma ocorreu em sua infância , deixando a autora com a sensibilidade à flor da pele. Percebe-se uma narrativa e dois momentos.

Primeiramente, a seca atinge o vaqueiro Chico Bento e sua família. Também, maltrata Vicente, grande proprietário e criador de gado. Em seguida, temos a relação de afeto e carinho que envolve Vicente, rapaz rude, mas puro de coração e Conceição, moça cheia de dotes e de cultura, da capital. O Quinze é um romance que denuncia o grave problema que aflige as pessoas: a seca. Esta é o grande entrave da natureza. As pessoas se sentem impotentes diante da vida. Para eles, viver passa a ser um desafio diário. Todos são heróis a combater o mesmo inimigo. Proprietários e trabalhadores tornam-se iguais. A seca os iguala. E os une na busca por melhores dias. Que os céus acabem com esses desolados momentos é o sonho de cada um, crianças e adultos, pobres e ricos.

Objetivos

* Analisar a obra literária “O Quinze”de Rachel de Queiroz, em sua plenitude, através de seus aspectos literário e histórico estabelecendo relações entre fontes históricas e aspectos apontados pela escritora levando os discentes a refletir sobre todo o contexto literário.


* Mostrar a importância da literatura como tarefa essencial na conquista da cidadania plena, fazendo com que os alunos incorporem valores, conceitos e atitudes em seu cotidiano escolar e extra-escolar.

* Conscientizar e reconhecer a importância do Nordeste e do homem da terra na obra de Rachel de Queiroz, despertando nos discentes encantamento e apreciação na contramão do preconceito e da discriminação.

domingo, 3 de abril de 2011

Vivenciando as "Artes Sacras" em sua plenitude!

Com o intuito de aprimorar o conhecimento dos alunos, no dia 01.04.2011, a Escola Liceu de Camocim Deputado Murilo Aguiar, sobre a orientação do professor de língua portuguesa, Edivaldo Júnior, proporcionou aos alunos do 2º Ano C, uma aula diferenciada no Museu Dom José Tupinambá da Frota, localizado na cidade de sobral. Na oportunidade foi enfatizado aos alunos, a “Escola Literária Barroca”, precisamente as diferenças e semelhanças existentes entre as diversas “Artes Religiosas” e “Artes Sacras”, que compõem o acervo do museu. A aula foi gratificante, pois foi colocado em prática a parte teórica, sob os aspectos que são significativos para a construção do saber, do conhecer e do desenvolver dos alunos.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Arte Sacra: Imaginária

Dentre as formas de arte desenvolvidas no Brasil durante o período colonial, a estatuária sacra ocupa um lugar de destaque, sendo amplamente produzida em quase todos os territórios habitados do país entre os séculos XVI e XVIII. O Museu de Arte Sacra possui exemplares da imaginária de todo esse período, com especial ênfase na estatuária paulista, e com obras representativas de outros centros de produção, especialmente Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Rio de Janeiro e "Ceará". A estatuária estrangeira está representada em peças avulsas, destacando-se um conjunto de obras de Portugal e um belo par de serafins napolitanos de inspiração rococó.

Arte religiosa ou arte sacra?

Deve-se distinguir entre "arte religiosa e arte sacra". A diferença está fundada não tanto nos caracteres intrínsecos de ambos e na inspiração de cada uma, mas no destino da obra artística. Existem obras de profunda inspiração religiosa e que, não obstante isto, não são destinadas ao culto, e portanto, não devem ser consideradas propriamente como sendo "arte sacra".
Em geral, pode-se dizer que é arte religiosa aquela que reflete a vida religiosa do artista. A virtude da religião tende a produzir no homem uma atitude substancialmente interna, de submissão, adoração, de fé e esperança e, sobretudo, de amor a Deus. A arte religiosa deve ter esta mesma finalidade e para que isso ocorra é necessário que a arte - conservando o característica intrínseca - se subordine ao fim da religião.
A "arte sacra" é aquela arte religiosa que tem um destino de liturgia, isto é, aquela que se ordena a fomentar a vida litúrgica nos fiéis e que por isso não só deve conduzir a uma atitude religiosa genérica, mas há de ser apta a desencadear a atitude religiosa exigida pela Liturgia, quer dizer para o culto divino.

Padre Antônio Vieira

O Padre Antônio Vieira foi um grande e produtivo escritor do barroco em língua portuguesa. Escreveu 200 sermões - entre os quais pode-se destacar o "Sermão da Sexagésima" -, cerca de 500 cartas e profecias que reuniu no livro "Chave dos Profetas", que nunca acabou. A família Vieira veio para o Brasil e fixou residência em Salvador, na Bahia, quando Antonio tinha seis anos. Seu pai era funcionário do império português. Aos 15 anos, ingressou na Companhia de Jesus.
Formou-se noviço em 1626, e além de teologia estudou lógica, física, metafísica, matemática e economia. Lecionou humanidades e retórica em Olinda e em 1634 foi ordenado sacerdote, na Bahia.
Aos 33 anos, voltou a Portugal com uma comissão de apoio ao novo rei Dom João 4o. Nessa época Portugal passava pela guerra da Restauração da Coroa contra a Espanha. Existiam ainda conflitos contra a Holanda, França e Inglaterra.
Em 1643, Vieria foi designado pelo rei Dom João 4o para negociar a reconquista das colônias. Suas propostas eram conciliar Portugal e Holanda, entregando a província de Pernambuco aos holandeses a título de indenização; reunir em Portugal os cristãos-novos, isto é, os judeus que estavam espalhados pela Europa, e protegê-los da inquisição. Em troca os judeus investiriam nos empreendimentos do Império Português.
Consideradas absurdas, suas idéias foram rejeitadas e Vieira retornou ao Brasil estabelecendo-se ao norte do Maranhão. Os dois primeiros volumes dos "Sermões" foram publicados em Madri em 1644, mas a edição estava tão ruim que Vieira não a reconheceu como legítima.
Em 1661, Padre Vieira foi obrigado a deixar o Maranhão, pressionado pelos senhores de escravos que não concordavam com suas posições contrárias à escravidão indígena. Voltou para Lisboa onde foi condenado pela inquisição em virtude de seus manuscritos "heréticos": "Quinto Império"; "História do Futuro" e "Chave dos Profetas". De 1665 a 1667 ficou preso em Coimbra.
Em 1669 foi anistiado e seguiu para Roma onde ficou até 1676 sob a proteção da Rainha Cristina da Suécia. Dez anos depois foi publicado oficialmente o primeiro volume dos "Sermões", em Lisboa. Em 1681 voltou ao Brasil onde passou a dedicar-se à literatura. Padre Antonio Vieira morreu aos 89 anos, na Bahia.

Gregório de Matos

Gregório de Matos (1636-1696) é o maior nome da poesia barroca brasileira. Não teve nenhum livro publicado em vida. Depois de sua morte, os manuscritos encontrados foram sendo publicados em diferentes coletâneas, sem nenhum rigor crítico. O que chamamos de obra poética de Gregório de Matos é, na verdade, fruto de pesquisas nessas coletâneas, o que ainda deixa dúvida sobre a autenticidade de muitos textos que lhe são atribuídos.

O Barroco no Brasil

O barroco, no Brasil, foi introduzido no início do século XVII pelos missionários católicos, especialmente jesuítas que trouxeram o novo estilo como instrumento de doutrinação cristã. O poema épico Prosopopéia (1601), de Bento Teixeira, é um dos seus marcos iniciais. Atingiu o seu apogeu na literatura com o poeta Gregório de Matos e com o orador sacro Padre Antônio Vieira , e nas artes plásticas seus maiores expoentes foram Aleijadinho , na escultura, e Mestre Ataíde, na pintura. No campo da arquitetura esta escola floresceu notavelmente no Nordeste, mas com grandes exemplos também no centro do país, em Minas Gerais , Goias e Rio de Janeiro. Na música, ao contrário das outras artes, sobrevivem poucos mas belos documentos do barroco tardio. Com o desenvolvimento do neoclassicismo a partir das primeiras décadas do século XIX a tradição barroca, que teve uma trajetória de enorme vigor no Brasil e foi considerada o estilo nacional por excelência, caiu progressivamente em desuso, mas traços dela seriam encontrados em diversas modalidades de arte até os primeiros anos do século XX.

domingo, 20 de março de 2011

O injustiçado

O funcionário público Policarpo Quaresma, nacionalista e patriota extremado, é conhecido por todos como major Quaresma, no Arsenal de Guerra, onde exerce a função de subsecretário. Seu fanatismo patriótico se reflete nos autores nacionais de sua vasta biblioteca e no modo de ver o Brasil.

Esse patriotismo leva-o a valorizar o violão, instrumento marginalizado na época, visto como sinônimo de malandragem. Atribuindo-lhe valores nacionais, decide aprender a tocá-lo com o professor Ricardo Coração dos Outros. Em busca de modinhas do folclore brasileiro, para a festa do general Albernaz, seu vizinho, lê tudo sobre o assunto, descobrindo, com grande decepção, que um bom número de nossas tradições e canções vinha do estrangeiro. Sem desanimar, decide estudar algo tipicamente nacional: os costumes tupinambás. Alguns dias depois, o compadre, Vicente Coleoni, e a afilhada, Dona Olga, são recebidos no melhor estilo Tupinambá: com choros, berros e descabelamentos. Abandonando o violão, o major volta-se para o maracá e a inúbia, instrumentos indígenas tipicamente nacionais.

Ainda nessa esteira nacionalista, propõe, em documento enviado ao Congresso Nacional, a substituição do português pelo tupi-guarani, a verdadeira língua do Brasil. Por isso, torna-se objeto de ridicularizarão, escárnio e ironia. Um ofício em tupi, enviado ao Ministro da Guerra, por engano, levá-o à suspensão e como suas manias sugerem um claro desvio comportamental, é aposentado por invalidez, depois de passar alguns meses no hospício.

Após recuperar-se da insanidade, Quaresma deixa a casa de saúde e compra o Sossego, um sítio no interior do Rio de Janeiro, está decidido a trabalhar na terra. Com Adelaide e o preto Anastácio, muda-se para o campo. A idéia de tirar da fértil terra brasileira seu sustento e felicidade anima-o. Adquire vários instrumentos e livros sobre agricultura e logo aprende a manejar a enxada. Orgulhoso da terra brasileira que, de tão boa, dispensa adubos, recebe a visita de Ricardo Coração dos Outros e da afilhada Olga, que não vê todo o progresso no campo, alardeado pelo padrinho. Nota, sim, muita pobreza e desânimo naquela gente simples.

Depois de algum tempo, o projeto agrícola de Quaresma cai por terra, derrotado por três inimigos terríveis. Primeiro, o clientelismo hipócrita dos políticos. Como Policarpo não quis compactuar com uma fraude da política local, passa a ser multado indevidamente.O segundo, foi a deficiente estrutura agrária brasileira que lhe impede de vender uma boa safra, sem tomar prejuízo. O terceiro, foi a voracidade dos imbatíveis exércitos de saúvas, que, ferozmente, devoravam sua lavoura e reservas de milho e feijão. Desanimado, estende sua dor à pobre população rural, lamentando o abandono de terras improdutivas e a falta de solidariedade do governo, protetor dos grandes latifundiários do café. Para ele, era necessária uma nova administração.

A Revolta da Armada - insurreição dos marinheiros da esquadra contra o continuísmo florianista - faz com que Quaresma abandone a batalha campestre e, como bom patriota, siga para o Rio de Janeiro. Alistando-se na frente de combate em defesa do Marechal Floriano, torna-se comandante de um destacamento, onde estuda artilharia, balística, mecânica.

Durante a visita de Floriano Peixoto ao quartel, que já o conhecia do arsenal, Policarpo fica sabendo que o marechal havia lido seu "projeto agrícola" para a nação. Diante do entusiasmo e observações oníricas do comandante, o Presidente simplesmente responde: "Você Quaresma é um visionário".

Após quatro meses de revolta, a Armada ainda resiste bravamente. Diante da indiferença de Floriano para com seu "projeto", Quaresma questiona-se se vale a pena deixar o sossego de casa e se arriscar, ou até morrer nas trincheiras por esse homem. Mas continua lutando e acaba ferido. Enquanto isso, sozinha, a irmã Adelaide pouco pode fazer pelo sítio do Sossego, que já demonstra sinais de completo abandono. Em uma carta à Adelaide, descreve-lhe as batalhas e fala de seu ferimento. Contudo, Quaresma se restabelece e, ao fim da revolta, que dura sete meses, é designado carcereiro da Ilha das Enxadas, prisão dos marinheiros insurgentes.

Uma madrugada é visitado por um emissário do governo que, aleatoriamente, escolhe doze prisioneiros que são levados pela escolta para fuzilamento. Indignado, escreve a Floriano, denunciando esse tipo de atrocidade cometida pelo governo. Acaba sendo preso como traidor e conduzido à Ilha das Cobras. Apesar de tanto empenho e fidelidade, Quaresma é condenado à morte. Preocupado com sua situação, Ricardo busca auxílio nas repartições e com amigos do próprio Quaresma, que nada fazem, pois temem por seus empregos. Mesmo contrariando a vontade e ambição do marido, sua afilhada, Olga, tenta ajudá-lo, buscando o apoio de Floriano, mas nada consegue. A morte será o triste fim de Policarpo Quaresma.